CLEMILDO BRUNET DE SÁ

ESTÁ DEMORANDO? SEJA PACIENTE!

Para Refletir...(30/06/09)
"Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu" (Eclesiastes 3:1). Que bem faria, ao fazendeiro, ficar zangado com sua plantação por demorar mais a produzir as frutas do que ele imaginava que demoraria? Sua raiva de nada adiantaria. Não produziria nenhuma modificação em sua plantação. Ele não tem poder para apressar o amadurecimento das frutas. Da mesma forma que o fazendeiro põe em prática a sua paciência e longanimidade esperando pelo tempo certo da terra produzir o seu fruto, devemos nós esperar pela presença do Senhor.
Nós, seres humanos, somos muito apressados. Não sabemos esperar por nada. Qualquer atraso, seja do que for, nos irrita e tira a nossa paz. Queremos tudo na hora, ou até"para ontem" como muitos dizem. Esquecemos que a paciência é uma virtude, um dom divino, uma maneira de viver muito mais abundantemente. Quando temos um sonho a realizar, queremos que aconteça na hora por nós determinada. Quando enfrentamos uma dificuldade qualquer, queremos que seja solucionada imediatamente. Não aceitamos nem alguns minutos a mais. Quando oramos pedindo uma bênção, cremos que ela virá no mesmo instante e, caso isso não aconteça, começamos a murmurar pelo descaso e indiferença de Deus.
Mas não deve ser desta forma. Assim como os frutos têm um tempo próprio para crescer e madurar, todas as demais coisas têm seu tempo determinado para acontecer. O nosso Deus é soberano. Ele sabe o tempo certo. Ele tem coisas maravilhosas para nós mas, não é dirigido por nossa vontade. Se você está esperando com ansiedade uma bênção do Senhor, não desanime. Seja paciente que ela logo chegará.
PAULO ROBERTO BARBOSA – Um Cego na Internet .
MINISTÉRIO PARA REFLETIR.

POMBAL DE ANTIGAMENTE: DE "GATO PRETO" E "ESPERANÇA"...

Maciel (Foto)
Maciel Gonzaga*
A tradição cultural é algo que jamais pode ficar para trás e não deve ser reverenciada apenas por respeito e memória. O passado é imprescindível na criação do novo. É de onde se tira inspiração de muitos elementos para se moldar o novo. Na Academia, tem sido árdua a luta de educadores para fomentar a elaboração de estratégias que possam trabalhar arte e cultura junto às crianças e adolescentes, cujas “mentes e corações” estão ocupadas com ritmos, sons e costumes que estão na moda. Não se trata de forçar os adolescentes a abandonar os gostos próprios ou “impostos” pelos meios de comunicação de massa mas, de conhecer e valorizar a história da sua terra, da sua gente.
É isto que me estimula a participar de iniciativas que buscam resgatar o passado e tudo aquilo que possa oferecer ao presente um mundo de justiça e felicidade. Penso que seja um bom papel que todos devemos desempenhar em um país que consegue, sabe Deus como, conviver lado a lado com tanta beleza e com tanta feiúra. Ajudar a olhar o que das tradições que herdamos merece ser preservado, o que deve ser jogado fora. Ajudar a olhar o que alimenta as nossas esperanças e os nossos sonhos, e o que nos faz deixar de acreditar e de lutar por eles. Ajudar a olhar o que nos torna diferentes e originais, ao contrário daquilo que nos confunde e que nos deixa bastante parecidos com os demais.
Importante seria que nossas crianças soubessem valorizar a nossa história, que elas tivessem historia para contar, para que também não fossem futuramente jovens desregrados, e para que esses jovens não se tornassem adultos sem criatividade e fossem vozes de protesto contra o que a mídia joga aos seus filhos. Tudo isso, para que não se construam pessoas sem objetivos.
Dentro desse parâmetro, desejo abordar um tema que faz parte da história da nossa querida cidade nos anos 60. Pombal era animada, cheia de festejos. Pela inspiração de “Pedrão” Adonias surge na então estrada de terra para Serra Negra, precisamente em frente à propriedade de Chico Benigno, as “Corridas de Prado”. Era uma nova perspectiva de lazer. O Prado que chega ao Brasil através do imperador Dom Pedro II, era um esporte que não exigia força e desempenho das pessoas, mas, sim, dos animais. A população comparecia apenas como espectadores, apostadores e admiradores do "esporte" e das corridas dos cavalos. Era uma festa. O cavalo “Gato Preto” – de “Pedrão Adonias” - era a grande sensação. Imbatível e admirado por todos nós.
Idealizador e homem de visão, Natal Queiroga então planeja ir mais além. A princípio, comprou o cavalo “Esperança” ao maior vaqueiro e aboiador da Região Nordeste, o pernambucano conhecido por Zé Vaqueiro. “Esperança” chega a Pombal para desbancar “Gato Preto”. Porém, a sua especialidade não era o Prado, mas, sim a Vaquejada. Foi quando Natal Queiroga começou a idealizar o seu Parque de Vaquejada, na Fazenda Rogério. E Vaquejada surge em Pombal com uma visão mais ampla, não só da derrubada do boi, mas, também, como geração de renda, de parque de lazer para a população. Talvez, em poucas cidades do NE estava nesse contexto, com premiações vultosas e, principalmente, a participação popular.
Foi assim que surgiu a Vaquejada de Pombal, tendo o primeiro grande evento ocorrido no Centenário da Cidade. Lembro-me do cavalo “Esperança” desfilando pomposo, carregando Natal Queiroga que, em certo local descia do animal e este saía seguindo-o por onde ele andasse, sem que o dono ao menos pegasse no cabresto. Era algo que atraía muita gente para ver a proeza de “Esperança”. Eu vi, ninguém me contou.
Lembro-me de Zé Vaqueiro, que corria, comprava e vendida cavalos, aboiava e ainda montava no boi sem a “cia”, ou seja, sem segurar em nada, diferente do que ocorre com os peões de rodeio de hoje. Depois, Manuel Adonias também entrou nessa mesma linha e passou a montar e correr no boi sem a “cia”. De Zé Vaqueiro, nunca esqueci este aboio: “Menina me dê um beijo / Só não quero no pescoço / Quero no bico do peito / Que é lugar que não tem osso / Que é pra quando eu ficar velho / Me lembrar que já fui moço”.
A “Difusora do Brack” (LORD AMPLIFICADOR) de propriedade do intrépido Clemildo Brunet de Sá transmitia todo o evento. Em recente conversa com o meu irmão Massilon Gonzaga, chegamos à conclusão que Clemildo Brunet foi, talvez, o pioneiro no Nordeste em transmissão de vaquejadas. A Barraca Universitária era a mais chic atração da festa. Menino, eu ficava olhando Waldemir Martins, Ghandi, Valdecir Silva, Mibel Silva, Ugo Ugulino e tantos outros sentados às mesas conversando, debatendo os problemas do País.
E eu, meu irmão Massilon e tantos outros meninos pobres ali próximos, todos a espera que alguém jogasse fora o coco gelado para comer a “raspa” – com gosto de whisk, é claro. Mas, sempre pensando comigo mesmo: um dia eu vou ser universitário igual a eles. Esta era a Pombal de antigamente, lembranças que não esqueço jamais...
*Natural de Pombal, Jornalista, Advogado e Professor. Natal - RN

ORÁCIO BANDEIRA: O REPÓRTER POLICIAL INVESTIGANTE E POLÊMICO!

Clemildo (Foto)
CLEMILDO BRUNET*
“Não estou tão bem quanto pensas, nem mal quanto me desejas. Porque enquanto força tiver e o mundo puder rodar, aqui estarei para melhor lhe informar”. Quem não lembra ainda dessas palavras que eram ditas pelo seu titular, como jargão, logo na abertura do Programa “Orácio Bandeira” ao meio dia, na Rádio Liberdade 96 FM em conexão com a Rádio Bonsucesso AM, que ecoavam nos quatro cantos do nosso e de outros Municípios circunvizinhos?
A minha homenagem hoje vai para o nosso Orácio Bandeira que está aniversariando neste dia 26 de junho. Logo cedo se sentiu vocacionado para a arte da comunicação e levado pelo prazer de falar em público, iniciou suas atividades fazendo locução em um parque de diversões que era armado no largo da Estação Ferroviária, por ocasiões dos eventos festivos que se davam no bairro dos Pereiros, onde ele morava bem próximo na casa de seus pais Pergentino Mecenas de Torres Bandeira (saudosa memória) Tereza Bernadina Bandeira e suas duas irmãs Maria Sandra Bandeira e Maria Cleide Bandeira, estas últimas residem atualmente em Rondônia. Casou-se com Mariza de Sousa Bandeira em julho de 1982 de cuja união nasceram três filhas: Mariela de Sousa Bandeira, Macela Monique de Sousa Bandeira e Moama de Sousa Bandeira.
Em sua juventude pouco a pouco, Orácio Bandeira foi se interessando pela arte que abraçara e como aprendiz começou a mostrar seu talento auxiliando Genival Severo nas coberturas das Festas de São Pedro no bairro dos Pereiros vindo depois a participar em 1976 do Serviço de Alto Falantes LORD AMPLIFICADOR de minha propriedade. Em 1982, Orácio Bandeira é convidado para integrar juntamente comigo o quadro de funcionários da primeira estação de rádio convencional em nossa cidade. A Rádio Maringá de Pombal AM.
Habilidoso e demonstrando excelente desempenho em suas tarefas radiofônicas, Orácio começou a despertar para o cotidiano das pessoas e de repente ficou fascinado pela informação do boletim policial, área que veio desempenhar o seu trabalho jornalístico com muita propriedade e competência, casando-se tão bem com sua voz firme e segura ao fazer a narração dos fatos das ocorrências policiais.
Eu diria que um pouco a frente de seu tempo, Orácio Bandeira como repórter policial, optou não somente por dar a notícia fornecida pelo BO da Policia, ele foi muito mais do que isso. Naquele tempo o noticiário policial resumia-se apenas a fornecer a prisão do elemento sem maiores detalhes. Mas Orácio, com seu jeito especulativo queria muito mais, envolveu-se de tal modo nessa aventura que acompanhava de perto toda ação da policia, averiguando por fora os acontecimentos, terminava por fazer uma reportagem investigativa para levar com autenticidade para seus ouvintes a informação.
A despeito de muitos não gostarem da maneira como Orácio fazia suas reportagens no âmbito policial, ele tinha também um estilo que lhe era peculiar. Dava suas informações livremente indo direto ao assunto sem medir as consequências e, por conseguinte insurgia o contraditório levando em conta que Orácio gostava de polemizar. Muita vezes o assunto que avultava grande repercussão na sociedade e que era badalado pela opinião pública, ficava sendo reprisado a cada nova versão bombástica da marcha dos acontecimentos.
Por outro lado, aqueles que não eram atingidos nem de leve com as reportagens transmitidas pelo repórter policial investigante e polêmico, aplaudiam as matérias na forma como elas eram abordadas por Orácio e exaltavam a coragem e o destemor do radialista.
Se para muitos que exercem a profissão de radialista a vida é boa, aperreada, para Orácio, acredito que foi mais além, sofreu muitas ameaças, até mesmo agressões físicas que não convém relatar. Basta o que lhe fizeram quando da necessidade de sua aposentadoria por invalidez, diante de um quadro irreversível de seu estado de saúde, cortaram-lhe o benefício a que tinha direito, vindo a passar privações com sua família. Para reverter tal situação teve de recorrer a Justiça Federal que lhe concedeu a volta dos proventos depois de considerável tempo, cujo atraso está sendo ressarcido paulatinamente.
O amor e desvelo de Orácio como comunicador e em tudo que ele fez no exercício de sua profissão, foi uma entrega de corpo e alma usando como instrumento a sua voz no combate a prática do crime em suas diversas modalidades. Denunciando com fundamento e facultando o direito que as pessoas têm de se defender; tanto é que as duas partes eram ouvidas. Pode-se dizer assim: Um trabalho feito com honestidade no cumprimento fiel de seu ofício.
Por muitos anos a voz de orácio se fez ouvir através da Rádio Progresso de Sousa, pois apesar de não ter sido funcionário da citada emissora, semanalmente comandava “O Que o Povo Precisa Saber”, programa de linha partidária do PMDB, que tinha como comandante maior e personagem principal entre os entrevistados o saudoso Deputado Levi Olímpio. Esse Programa mais tarde, veio a ser levado ao “AR” também pelas Rádios Bonsucesso AM e Liberdade 96 FM de pombal a partir de 1993, quando da aquisição dessas duas emissoras pelos deputados: José Luiz Clerot (Federal) e Levi Olímpio (Estadual).
O livro Parabéns, Pombal! História viva da comunicação de autoria da Professora, poetisa e madrinha dos radialistas de nossa terra, Mª Bom Sucesso de Lacerda Fernandes, registra o evento - Destaque 98 na Comunicação realizado na Rádio Bonsucesso de Pombal no dia 19 de dezembro de 1998, promovido pelas Associações Comunitárias dos bairros Jardim Petrópolis e Nova Vida, oportunidade em que foram homenageados com comendas, os comunicadores e outras personalidades de Pombal. Orácio Bandeira estava entre os homenageados, no exato momento de receber o Troféu “Honra ao Mérito” o insigne radialista ouviu as seguintes palavras proferidas por Cessa Lacerda:
“Entregar essa comenda é uma honra para mim, pois conheço sua idoneidade, o seu talento e sua coragem ao executá-la com tanta responsabilidade. Você é um comunicador útil a nossa região e que eu muito o admiro. Este Certificado significa muito não só pra você, como pra todos os ouvintes que o admiram e o Troféu foi um apoio coincidentemente da Rádio Maringá, onde fez a sua prestação de serviço, parabéns”.
A categoria dos radialistas de Pombal por sua vez prestou as suas honrarias ao nosso confrade Orácio Bandeira, por ocasião da Festa dos Radialistas promovida no dia 14 de novembro de 2007 em solenidade realizada na AABB de Pombal, entregando-lhe o Certificado e Troféu Imprensa 2007 – Radialista Clemildo Brunet. Ele também foi alvo de homenagens em 2001 no transcurso do Primeiro Aniversário do Programa “Saudade Não Tem Idade” da Rádio Liberdade 96 FM, na festa dançante animada por Ogírio Cavalcante e banda no Recreio Maçônico “Vale das Acácias”.
Orácio Bandeira (Foto recente)
Orácio Bandeira foi considerado um dos radialistas mais privilegiado de Pombal, a desenvoltura e aptidão de seu trabalho, o levaram para diversas emissoras aqui no sertão. A começar da Rádio Maringá, seguindo-se depois, Difusora Rádio Cajazeiras, onde foi destaque no Programa mais ouvido da Região “Boca Quente”. Rádio Educadora de Conceição onde fazia o Jornal do Vale. Rádio Oeste da Paraíba em Cajazeiras com a crônica policial e Rádio Jornal de Sousa com o Programa “Tribuna Livre”. Durante alguns anos Orácio foi correspondente do Jornal Correio da Paraíba e depois de haver transitado por essas emissoras, ainda na Rádio Maringá AM, fez “Um Caso de Polícia” programa de linha independente, obtendo alto índice de audiência no horário do meio dia.
Em 1993 com a instalação da Rádio Liberdade 96 FM, a convite do deputado estadual Levi Olímpio, Orácio veio trabalhar nesta emissora criando um programa que recebeu seu próprio nome. Programa: “Orácio Bandeira”. Em 2001 sofreu um AVC (Acidente Vascular Cerebral) em pleno gozo do exercício de sua principal função no programa, provocando em definitivo o seu afastamento do rádio.
Orácio, seus ouvintes jamais poderão esquecer a relevância de seu serviço e os que fazem a comunicação esses sim, haverão de reconhecer o contributo dado por você; não somente as rádios de Pombal, mas também a toda região sertaneja.
PARABÉNS, FELIZ ANIVERSÁRIO!
*RADIALISTA.

POMBAL, ONTEM E HOJE, SOB O TESTEMUNHO DE ZÉ DE BÚ

Ignácio Tavares (Foto)
Ignácio Tavares de Araújo*
Talvez o único arquivo vivo que temos em Pombal seja Zé de Bú. Quem não conhece o nosso querido Zé de Bú? Cuidadoso Pai, bom amigo e fiel escudeiro quando assume um compromisso político. Eu disse arquivo vivo porque ele carrega na sua memória a história e a fotografia de uma Pombal que todos nós sentimos saudades.
Muitos jovens de hoje, não sabem o quanto era boa a Pombal de seus avós. Tínhamos um bom futebol com excelentes craques como Zé Pretinho de Dona Neca e seu irmão Belino, Manu, Alencar; Nicodemos e tantos outros que me fogem a lembrança. Tudo isso nos anos quarenta. Já nos anos cinqüenta e sessenta, conhecemos outros craques como Agnelo, Zé de Dozinho, Zaqueu, Dilau, Chico Sales, Alfredo Bezerra, Valdemar Pereira, Ruy Aquino e outros que ainda estão também por aí.
As noites, eram animadas com passeios na praça Getúlio Vargas, onde centenas de rapazes e moças trocavam olhares e juras de amor. A meia noite, as serestas com Bideca, Chico de Doura e outros notívagos.
Pombal, não era uma Cidade tão pobre o quanto é hoje. As pessoas vestiam-se bem e eram menos desencantadas. É verdade que poucas pessoas tinham veículos para locomoção não porque eram pobres, mas sim porque naquele tempo não existiam tantas facilidades para se comprar um carro como existem hoje e até porque o Brasil não tinha uma indústria automobilística como tem hoje, sendo, portanto muito difícil importar um veículo a peso de ouro.
A indústria automobilística surgiu na segunda metade dos anos cinqüenta e logo surgiram os primeiros fuscas em Pombal, comprados por aquelas pessoas de maior poder aquisitivo.
Zé de Bú sabe melhor do que eu. A cidade de Pombal se rivalizava com suas vizinhas Patos, Sousa, Cajazeiras não só no futebol, como também na prosperidade. A banda de música, Santa Cecília era considerada uma das melhores do sertão sob a batuta de Elizeu Veríssimo. Na produção de algodão, só perdíamos para Sousa por conta das suas imensas várzeas que permitiam o plantio de milhares de hectares dessa cultura e outras de subsistência. Eta que tempo bom... não era Zé de Bú?
A Brasil oiticica, representava uma riqueza particular em Pombal. Gerava muitos empregos e ainda animava a sociedade com suas noites de dançantes no pequeno clube nas suas dependências, onde as moiçolas e rapazes mostravam suas habilidades de dançarinos, com destaque para Jéferson Trigueiro e Luiz Silva que eram habilidosos no passo e na marcação nas danças de boleros, tangos, fox-trot e outras modalidades. Tudo se foi e grande parte dos atores desse tempo também se foi. Restam poucos, mas estes se lembram com a alegria estampada no rosto, da felicidade que aquele tempo, que não volta mais, os proporcionaram.
E agora José, como diz o poeta maior, a festa acabou e quase nada restou a não ser o nosso Zé de Bu. Não fique triste porque resta muita coisa. Digo, restam nossas esperanças de que tudo pode mudar. Essa mudança depende de você a partir do momento que o seu imaginário e também o imaginário coletivo tomar consciência de que não são as palavras que mudam as coisas e sim as ações.
As palavras, na maioria das vezes são enganosas, são vãs e até certo ponto perversas e ameaçadoras, mas as ações são bem pensadas, planejadas e por isso, transformadoras. Quando se transforma, muita coisa muda para melhor e quando isso acontece quem sai ganhando é o povo. Que assim seja.
Um forte abraço e peço desculpas a Zé de Bú, ao prestar-lhe esta singela homenagem usando o seu nome aqui neste texto sem consultá-lo. Acredito que você vai gostar Zé, porque você é dez. Até breve!
*Escritor filho da terrinha.

SARNEY, A REPÚBLICA E O POVO BRASILEIRO.

José Sarney (foto)
Alberg Bandeira de Oliveira*
Nesta semana, quiçá, tenha sido a maior surpresa dos meus quase 39 anos de vida em termos de política institucional. Tal fato se deu quando em discurso proferido na Tribuna do Senado, o Presidente daquela Instituição, desafiou todo o Povo Brasileiro, com a seguinte expressão - mais ou menos assim: - “O país não tem o direito de questionar meus atos”.
A minha surpresa, reside justamente no fato, de que até o momento daquele inusitado ato (discurso), eu, que sou um simples mortal, jurava a todos que estávamos numa REPÚBLICA FEDERATIVA, mas pelo visto, estamos exatamente em uma MONARQUIA, porquanto um Homem Público, melhor dizendo, um Senador não da República, mas de uma Monarquia, que se julga está isento do clivo fiscalizador do Povo, da crítica da mídia e das instituições, não é Senador, mas REI.
Mas outro fato me deixou ainda mais abismado, é que, nenhum dos Senadores e Senadoras daquela CASA, ousaram questionar, ou até mesma apartear o REI. Aqui vai a minha indagação, onde estavam os Homens que se dizem sérios daquele Poder, a citar: Pedro Simon, Eduardo Suplicy, Cristóvão Buarque? A resposta é simples. Que falta faz ao País as ausências do Senador Jeferson Perez (falecido) e da Senadora Heloisa Helena, porque tenho certeza que resposta aquele Rei Mal Coroado iria receber.
Falo de Rei Mal coroado, pelo fato daquele cacique velho e ultrapassado, não na idade, mas na ortodoxa prática de fazer política, jamais foi eleito Presidente da República pela via do Povo, mas através dos conchaves políticos efetuados no Congresso Nacional, quando o País saiu do tenebroso período Militar e entrou numa pseudo democracia. De fato, foi aquele Rei Mal coroado quem recebeu a honrosa missão de democratizar o País, no entanto, o que vimos foi a nefasta prática da velha política, do é dando que se recebe, do nepotismo e da malversação do dinheiro público - quem não lembra quando o seu genro foi preso pela PF com uma maleta de dinheiro em 1998 -, com obras super faturadas etc.
Sarney, leia-se Rei mal coroado, até por ter formação Jurídica, posto que ostenta diploma de direito, deveria saber, que em uma República a ninguém é dado o privilégio de dizer que não deve satisfação ao Povo. Deve sim, e ele deve muito mais do que qualquer outro cidadão brasileiro, pois, recebeu dos Militares o País e o transformou num poço sem fim de velhas e arcaicas práticas políticas, como por exemplo, o uso imensurado dos meios de comunicações do seu Estado e de outros rincões do País.
É, REI MAL COROADO, o seu reinado nos parece que se não está perto do fim, apodreceu, cuja fedentina se encontra estampadas nas manchetes dos Jornais, pois, se não bastassem os ilegais “ATOS SECRETOS”, agora se descobriu que o mordomo da sua filha, Governadora biônica do Estado do Maranhão, é pago com recursos do SENADO, onde aquele servidor recebe R$ 12.000,00, para atender os gostos da família SARNEY.
Parece-nos que esta Gente, subestima muito o senso critico do povo brasileiro, porquanto além de não respeitar a vontade das urnas provenientes do Estado do Maranhão, ainda se arvora no direito de dizer que ” O País não tem o direito de questionar os seus atos”. Sarney, repita-se, REI MAL COROADO, no seu discurso, o Senhor, só esqueceu de um detalhe: É que, a Constituição Federal, lei das leis, diz o seguinte no Parágrafo único do seu artigo 1º, “Todo PODER EMANA DO POVO”.
Assim, termino este modesto artigo, que para mim, é muito mais um desabafo do que um discurso político, dizendo o seguinte: A partir daquele discurso não considero o País como República Federativa do Brasil, mas MONARQUIA DA FAMÍLIA SARNEY, mesmo porque, foi o próprio PRESIDENTE DA REPÚBLICA, LEIA-SE, DA MONARAQUIA DA FAMILÍA SARNEY QUEM O DEFENDEU PUBLICAMENTE. Assim, viva Montesquieu, Viva Voltaire, Rousseau e VIVA O SOFRIDO POVO BRASILEIRO.
Pombal –PB EM 20 DE JUNHO DE 2009.
*Advogado e Cidadão Brasileiro

EDUCAÇÃO SUPERIOR NO MUNICÍPIO DE POMBAL

Faculdades Pioneiras: FAP / FCCP - “INSTALAÇÃO” Artigo: Nº 002 Autor: Alberto Salgado Bandeira*
A Faculdade de Ciências Contábeis de Pombal e a Faculdade de Agronomia de Pombal, fundadas através das Portarias do MEC Nº 1.681 de 19 de outubro de 2000 e Nº 334 de 23 de fevereiro de 2001 respectivamente, tendo como mantenedora a Fundação de Ensino Superior de Cajazeiras – FESC, entidade ligada diretamente a Diocese de Cajazeiras-PB, iniciaram a formação de vários grupos de trabalho com a finalidade de angariar recursos necessários às instalações das mesmas.
A primeira equipe foi formada para esse fim, coordenada por Padre Sólon Dantas de França com a participação de vários membros da sociedade pombalense: Espedito Joaquim de Abrantes; José Félix Faustino (Concluinte no período 2008.2 do Curso de Agronomia); Olivaldo Nobre da Silva; Alberto Salgado Bandeira; José Ednor Varela; Felemon Benigno de Araújo Filho; Maria do Bom Sucesso Fernandes(D. Cessa); Francisco Fernandes da Silva(Bibia); Terezinha da Silva Almeida; Acilon Ferreira de Lima(Nogueira); Ana de Almeida Venceslau(Anita); Maria de Assis Queiroga(D. Marieta); Diana Maria de Oliveira Assis; Adeilson Nunes de Melo(Juiz de Direito da 1ª Vara); Nadir Batista Queiroga de Almeida; João Ferreira de Almeida Neto; Antonio Fernandes da Silva (Concluinte no período 2008.2 do Curso de Agronomia); Raimundo de Almeida Martins(Raimundinho); Ana Izabel Alencar Martins; Professores e Alunos dos Colégios de Pombal; além de órgãos e instituições: Rádio Maringá de Pombal; Rádio Liberdade de Pombal; Rádio Bom Sucesso de Pombal; Rádio Opção de Pombal; Lojas Maçônicas de Pombal; Pastorais das Paróquias de Pombal; Exército Brasileiro - Tiro de Guerra Unidade de Pombal; Rotary Clube de Pombal; Rotaract Clube de Pombal; Interact Clube de Pombal.
A Campanha adotou como estratégia do Padre Solon Dantas de França, visitar os proprietários rurais de Pombal e região, no horário diurno e as residências familiares da cidade de Pombal, no horário noturno, solicitando contribuições em dinheiro, ao tempo em que as Emissoras de Rádios divulgavam em sua programação os itinerários das visitas pelas referidas equipes. Foi, na época, a primeira fonte de renda obtida pelas Faculdades de Pombal. Os Produtores Rurais, visitados individualmente, contribuíram com doações de animais Bovinos, Caprinos e Ovinos.
As Prefeituras dos municípios de Pombal, São Domingos, São Bentinho e Cajazeirinhas (gestão: 2000-2004) tiveram uma participação importante na elaboração de “Convênios” com as Faculdades. A Prefeitura Municipal de Pombal elaborou importante projeto de doação de recursos financeiros direto às Faculdades. A Câmara Municipal de Pombal aprovou a liberação dos recursos, permitindo à Prefeitura a destinação da importante contribuição que caracterizou a primeira verba pública em benefício das unidades de ensino superior de nossa cidade.
As Faculdades foram instaladas nos prédios do Colégio “Josué Bezerra”, antiga “Escola Normal Arruda Câmara” e Educandário “Nossa Senhora de Fátima”, antigo Orfanato do mesmo nome, em regime de comodato juntamente a outras unidades físicas constituídas pelas Fazendas Várzea da Serra, Várzea do Padre e o Centro Social Nova Betânia pertencentes à Paróquia São José de Paulista-PB; no município de Pombal-PB registramos a Fazenda Vassoura, cedida por Martinho Queiroga Salgado; Sítio Bom Jesus de Alberto Salgado Bandeira; Granja Granforte de José Alves Feitosa & Filhos; Granja Dois Irmãos de propriedade de Lavoisier Pereira Paixão, as duas primeiras utilizadas como Empresa Júnior com o objetivo de gerar renda para a manutenção dos Projetos, e as demais seriam destinadas à implantação de experimentos técnicos e aulas práticas das diversas disciplinas.
Estão incluídos nesse acervo os Laboratórios de Química, Biologia, Citologia e Histologia, Desenho Técnico, Solos, Sementes, Microbiologia/Fitopatologia, convenientemente instalados no Educandário Nossa Senhora de Fátima. Nos próximos artigos será dada continuidade à história desse importante episódio de sucesso, marcante na vida dos pombalenses.
Médico Veterinário*
(Membro Fundador, Ex-Vice Diretor, Administrador e Ex-Professor da FAP) Colaboradores desta Edição: (15/05/2009) Prof. Doutor, José Cesário de Almeida (Adequação à ABNT) Profª. Especialista Terezinha da Silva Almeida (Revisão Ortográfica) Maria José Leite da Nóbrega (Ex-Secretária Geral das Faculdades) Espedito Joaquim de Abrantes (Ex-Diteror da FCCP)

O VERDE DA POMBAL DE MEU TEMPO.

Jerdivan Nóbrega de Araujo*
Na casa em que nasci, na Rua de Baixo, e vive até meados de mil novecentos e setenta, lembro-me apenas de dois pés de côcos, um de ciriguelas e outro de cuités, além da cerca verde feita de Algodãodo Pará. Tínhamos ainda, na Rua de Baixo, o frondoso pé de tamarindo por trás da casa de Godôr e o não menos imponente trapiazeiro do corredor dorio, bem no quintal de seu Joaquim pai de Nedina doida e, no final do corredor do Rio, a grande Marizeira.
Zé de Godor costumava catar as amêndoas que cozia para comermos contando histórias deassombradas e de botijas. Mas, a Pombal dos anos sessenta era pródiga em verde, o que fazia da cidade, mesmo em meio aos seus 34 ou 38 graus, (à noite, quando soprava o vento da serra do Acari, baixava para 25 ou 27 graus) agradável e até despertava a preguiça convidativa a cesta do meio dia, ás sombras dos Fícus Benjamin que rodeavam a Praça Getulio Vargas. A Praça do Centenário era de um arvoredo tão esplendoroso e de copas tão fechadas que mal deixavam à luz do sol chegar ao chão.
Eram tamarineiras, marizeiras, trapiás e muita Acácia Ferrugina, além de uma árvore espinhosa, cujo nome foge-me a memória, mas que achamávamos de “mata fome” por nos oferecer uma vargem de polpa avermelhada que era gostosa de se comer. Acredito ser também uma variação das mil e duzentas variações de Acácias existentes nomundo. As Palmeiras Imperiais só vieram a ser plantadas no inicio dos anos oitenta. Outra árvore de igual espécie havia no pátio do João da Mata, onde hoje está instalado o Hospital Distrital de Pombal, e muitas outras sombreavam as calçadas das Ruas: Nova, Joubert de Carvalho e do Comércio, alterando-se com Acácias amarela e ferrugina. Como estas plantas resistem por quarenta anos, ainda deve existir remanescentes naquelas ruas.“Meu flanboyan na primavera, que bonito que ele era dando sombra no quintal” Sempre que escuto esta música lembro-me do grande flamboyant da casa de Doca de seu Mizim.
Na primavera as flores pareciam sangrar em carne viva e no verão as suas vargens, em forma de facão, que usávamos para brincar de guerra de espada. Em mil novecentos e setenta e dois foi construída uma praça em frente a Prefeitura, Hoje Praça Hermínio Monteiro Neto, ornamentada só com palmeiras Imperiais e Jambeiros, este ultimo não se adaptou ao clima ao ponto de produzir frutos, porém as suas copas deram uma beleza especial ao local. Nas roças de tia Mila, Bozó e dona Porcina, valia a pena nos arriscarmos para roubar mangas, carnaúbas, Trapiás e Pinhas ou Fruta do Conde, como preferir.
No centro da cidade, exceto na Rua Padre Amâncio Leite, Leandro Gomes de Barros e Jerônimo Rosado, poucos jardins haviam. Porém haviam nestes, muitas rosas vermelhas, bugaris brancos, boa noite, boa tarde, bom dia e raramente girassóis. Na casa de Doutor Atêncio um outroflanboyan e, na lateral havia um pé de Araçá, além do Jasmineiro-branco que perfumava toda a rua nos finais de tardes. Do jardim da casa de seu Saturnino, na Coronel José Avelino, peço que mandem-me pelo menos um cheiro daquele Jasmineiro. Ao lado da Igreja Matriz, na casa de Cícero Gregório, um enorme Fícus Benjamim nos divertia: a idéia era fazer com que os desavisados olhassem para cima, para encher os olhos de micuim ou incensar as vestes com o fedor dos percevejos.
Mas, o mais engraçado eram os seis mudos de João Josias, que se aproveitavam da sombra para gozar dos transeuntes com as gargalhadas marcantes.O corredor do rio era ladeado por cercas vivas de Melão de São Caetano, Jerimuns, Algodão do Pará, Marizeiras, Trapiás e Cajazeiras, Canafístolas e muitas Oiticicas que outrora fora a redenção financeira da cidade de Pombal. As matas ciliares do rio Piancó eram formadas por Ingazeiras e Mufumbus, em sua maioria, onde o passaredo se agasalhava. No campo de futebol o Aveloz, de tão abundante que era, emprestou o seu nome ao campo de futebol da cidade que, batizado de “Estadio Municipal Vicente de Paula Leite, para nós, porém, sempre foi o bom “Aveloszão” das nossas tardes futebolísticas, assistidas dos galhos das avelozes.. Depois e só depois, vieram as algarobas que substituíram os Fícus Benjamim por se tratarem de plantas resistentes aos ventos fortes na temporada das chuvas e por resistirem a seca quando da escassez da água.
Deixei para o fim a grande castanholeira do João da Mata. Animais e gente disputavam as sombras desta arvore, porém, o mais gostoso para os moleques era se esconder em suas frondosas copas e, de lá atirar castanholas maduras nas pessoas que passavam nas imediações. Era uma árvore enorme, cuja copa sombreava os dois lados da rua, e o tronco não era abraçada senão por três homens de mãos dadas. Porf icar na esquina das duas ruas e um pouco fora da calçada, era comum motoristas bêbados baterem com seus veículos no tronco da grande árvore. Lembro-me que seus galhos chegavam até o chão. Hoje as ruas de Pombal continuam arborizadas e não poderia ser diferente. Não há outra forma de suportar o calor dentro de casa e uma arvore na calçada continua sendo necessário. O que nos falta hoje é tempo e disposição para uma boa cadeira preguiçosa a sombra destas arvores onde poderíamos prosear, jogar ludo ou baralho, numa boa conversa acalentada pelas difusoras do “Lord Amplicador’ ou sintonizando um rádio de pilhas no programa “Terreiro da Fazendo”da “ Rádio Alto Piranhas” de Cajazeiras.
*Escritor Pombalense

OS DEMÔNIOS SÃO DIVINOS.

Francisco Vieira*
Calma! Não é ateísmo, heresia nem blasfêmia. Os demônios a quem me refiro são: OS DEMÔNIOS DA GAROA - conjunto musical mais antigo em atividade em nosso país.
Contrariando a opinião de alguns críticos, principalmente os mais radicais – pra não dizer bairristas – de que somente no Rio de Janeiro se faz samba, o conjunto paulista “Demônios da Garoa”, mostra exatamente que esse ritmo não é exclusividade do carioca. Na verdade, o samba, não é propriedade nem privilégio de ninguém. Sabe-se, entretanto, que tem origem no processo de migração afro descendente que ao adentrar o Brasil, trouxe consigo o ritmo, conforme se manifesta de diversos tipos e maneiras nos quatro cantos do país. Em suma, está ligada diretamente aos batuques e manifestações rurais. Enfim, está mais que comprovada a influência africana manifestada com a presença sonora dos tambores nas festas populares, inicialmente na Bahia e depois no Rio de Janeiro, pelos escravos.
Com o passar do tempo, o ritmo que sofreu modificações, invadiu as cidades, atingiu a popularidade, tornando-se a dança nacional brasileira, sendo por isso, reconhecida pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, como patrimônio cultural do Brasil. Portanto, o samba está inserido no nosso corpo - no sangue e na alma. É um ingrediente a mais que circula ritmado para controlar as batidas do coração. Aliás, dizem até que o coração do sambista não bate - balança. Funciona como uma fonte de energia que faz mexer o corpo, o espírito e a alma.
O conjunto “Os Demônios da Garoa” é oriundo do Bexiga, bairro da capital paulista. Surgiu na década de 1940, com o nome de “Grupo do Luar”, devido suas apresentações no período noturno. Sua primeira apresentação ao público ocorreu em 1943, no programa de calouros: “A HORA DA BOMBA” na Rádio Bandeirante, do qual foi vencedor, ganhando contrato com a referida emissora. Logo em seguida, nos anos de 51 e 52, foi campeão do carnaval paulista com as músicas “Malvina” e “Joga a chave”. Portanto, já começou grande. Tempo depois passou a chamar-se “Demônios da Garoa”, nome escolhido pelo público através de concurso promovido pelo radialista Vicente Leporace.
Seu nome, embora pareça de mau gosto, nada tem de pejorativo ou maligno. Esta denominação – diga-se de passagem – bem sugestiva, está associada ao fato de que as músicas do repertório que nada tem de demoníacas são irresistíveis e cantadas à noite para animar e aquecer os casais na aconchegante garoa paulista.
Na verdade o conjunto projetou-se a partir de 1949, quando seus membros conheceram o compositor Adoniran Barbosa, por ocasião das gravações do filme O Cangaceiro. A partir desse momento se formava uma parceria entre ambos tendo o conjunto gravado seus principais sucessos e alcançando o reconhecimento musical do público. Foi o casamento que deu certo. Ainda hoje não há como separar um do outro.
Os Demônios da Garoa, além de se constituir um grande conjunto pela qualidade vocal e harmônica, destaca-se também pelo seu bom humor, transmitido numa linguagem bem peculiar e irreverente, o que se tornou sua marca registrada como podemos observar nas músicas: “Ói nóis aqui trá veiz – Tiro ao Álvaro – Samba do Arnesto”.
Graças à qualidade de suas composições e o talento dos seus componentes, “Os Demônios da Garoa”, tem resistido até hoje, e o que é mais importante, agradando a várias gerações Suas músicas ainda são as mais cantadas em rodas de samba e brincadeiras de amigos, até mesmo pelos mais novos. Seguramente, não há um jovem sequer, que não saiba sofrejar “Trem das Onze”, “Iracema” e “Saudosa Maloca”.
Precisa ser realmente bom para permanecer na ativa. Afinal, é mais de meio século de atividade, o que representa uma vida de resistência e muito bem vivida. Somente a qualidade resiste ao desgaste do tempo. Assim, por todos esses preceitos o conjunto tornou-se uma referência e motivo de orgulho para os paulistas. E, para imortalizá-lo, em 1994, o grupo foi incluído no Guines Bock – Livro dos Recordes Brasileiro, onde ainda permanece como o grupo vocal mais antigo do Brasil em atividade, tendo inclusive sido agraciado com DISCO DE OURO pelo álbum de 50 ANOS DE CARREIRA.
Pasmem. Exatamente sessenta e seis anos depois, em plena atividade, o grupo comemorou o acontecimento com dois grandes shows em S.Paulo no início de junho de 2009, oportunidade em que o jornalista e historiador Assis Ângelo fez o lançamento do livro “Pascalingundun – Os Eternos Demônios da Garoa”, que narra a história do conjunto. A propósito, pascalingundun, é uma onomatopéia presente na música “Trem das Onze”, maior sucesso dos “Demônios”. O grupo é detentor de enorme bagagem musical composta de 69 compactos simples, 06 compactos duplos, 34 Lps e 13 CDs, além de um DVD lançado recentemente na qual constam sucessos inesquecíveis.
Sua formação atual é composta pelos músicos: Roberto Barbosa (Canhoto), Serginho Rosa, Sydnei, Izael e Ricardinho, este último, já da 3ª geração, pois é neto de Arnaldo Rosa, um dos fundadores do grupo. Lamentavelmente dos fundadores não resta nenhum, todos já se encontram na eternidade. Com certeza cantando no conservatório de Deus. Os fundadores Arnaldo Rosa e Toninho Gomes, últimos remanescentes, faleceram respectivamente em 2000 e 2005, sendo Arnaldo vítima de cirrose hepática decorrente de um tratamento na coluna, enquanto Toninho devido complicações de diabetes e mal de Alzheimer.
Ao longo da histórica carreira o grupo acumulou cerca de 100 prêmios. E, o mais impressionante: durante oito anos consecutivos em temporada semanal em São Paulo, o conjunto registrou mais de 750 apresentações no Bar Brahma todas às quintas-feiras. Ainda hoje, mesmo sem contar com nenhum dos remanescentes do grupo original sua presença é marcante nas noites paulistas e nos grandes eventos. Em suma, mais “Demônios” do que nunca ou “Demônios” como sempre.
Com certeza, a longevidade do conjunto se justifica pelo repertório romântico aceito na época, além do solo instrumental de “Canhoto”- exímio violonista - e o esquema vocal de três vozes que se colocavam harmonicamente uma sobre a outra. Portanto, por tudo isso e muito mais, ratifico: OS DEMÔNIOS DA GOROA SÃO REALMENTE DIVINOS.
Pombal, 19 de junho de 2009.
*Professor.

AS FESTAS JUNINAS E SUAS TRADIÇÕES

CLEMILDO BRUNET*
Muito antes da chegada do Cristianismo as festas juninas já existiam. Era costume entre os romanos fazerem rituais homenageando a deusa Juno. Havia a adoração ao fogo, culto à fertilidade da terra e do homem. A história registra que as festas juninas também eram realizadas na Ásia e na África, havendo rituais que homenageavam diversas divindades e tinha também características de natureza agrária. Sobrepondo a mitologia romana chega o cristianismo, mesmo assim, os costumes na cultura do povo europeu superaram as expectativas e os povos continuaram celebrando suas festas juninas.
O termo Festas juninas é definido de dois modos. Primeiro porque os festejos ocorrem no mês de junho, já foi chamado até de festa joanina. O outro modo é porque teve sua origem em países católicos da Europa que comemoravam o São João. Foi durante o período colonial que os portugueses trouxeram essas festividades para o Brasil.
O saudoso Câmara Cascudo, em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, diz: “Portugal possuiu no espírito da sua população todas as superstições, adivinhações, crendices e agouros amalgamados na noite de 23 de junho, convergência de vários cultos desaparecidos e de práticas inumeráveis, confundidos e mantidos sob a égide de um santo católico” . Foi com a data do santo católico que os portugueses introduziram em nosso país, os festejos juninos que se constituiu na união dos cultos pagãos (Louvor ao fogo, a terra e à fertilidade humana).
Nesta época do ano diversos elementos sedimentam o paralelo que existe entre o profano e o sagrado, seja através dos fogos de artifícios, dos cultos aos três santos católicos (Santo Antonio, S. João e São Pedro) como na procissão do acorda povo ou nas tradições dos negros vindos da África, em suas louvações a Xangô – senhor dos raios e dos trovões.
Mesmo sendo festejada em outras partes do Brasil, a predominância das festas juninas se dá mesmo é no Nordeste. O símbolo maior da festa está nas fogueiras e nas danças como: coco, ciranda, xaxado e quadrilha - um estilo musical marcado pela contribuição proveniente das culturas portuguesas, indígena e negra. Revive ainda costumes caipiras através da indumentária que vestem e da culinária vinculada ao começo da colheita do milho.
Na Paraíba as festas juninas são comemoradas a começar da cidade rainha da Borborema – Campina Grande. Desde 1983, ocupando uma área de mais de 80 mil metros quadrados no Parque do Povo, em quatro planos distintos - os festejos juninos se estendem pelo Arraial Luiz Gonzaga, a Pirâmide Jackson do Pandeiro, Arraial Hilton Motta e o Centro de Arte e Cultura Popular. Conhecido como o Maior São João do Mundo, o evento ocorre durante 31 dias, revestido de cenografias que elevam os valores juninos combinando com características arquitetônicas e históricas da cidade.
O Maior São João do Mundo é também descentralizado para os bairros e distritos da cidade valorizando a tradição do povo, como vem ocorrendo nos distritos de Galante e São José da Mata ponto alto do evento em sua programação diurna.
Finalmente, as festas que ocorrem durante o mês de junho, são os eventos mais esperados pelos brasileiros depois do Carnaval. O calendário marca a metade do ano, e no currículo escolar o período é de férias.
O Nordeste é o ponto de convergência onde se reúne o maior número de gente de todas as partes e lugares deste país. Há uma intensa mobilização de pessoas, alguns para as brincadeiras que os festejos sugerem, outros para visitarem parentes e amigos em lugares distantes.
*RADIALISTA.

ELOGIO AO EGO

Por Severino Coelho Viana*
A crítica destrutiva é um mal que às vezes atormenta o autor, mas esta temeridade só recai em cima dos inseguros, dos fracos de posicionamento e dos imaturos de conhecimento do tema que se propôs a dissecar, principalmente quando o mal destruidor advem de origem por uma despeita pessoal ou nascido de um sentimento invejoso.
Sabemos que escutar adjetivos poucos lisonjeiros a respeito de tarefa ou trabalho literário, quando o autor consumiu horas de sua vida debruçado sobre o papel ou alinhado ao computador não é realmente nada agradável ver distorcido o trabalho realizado com afinco, dedicação e amor. Observemos de onde foi atirada a seta venenosa e de quem partiu a mira e qual o alvo que quer atingir com uso da cavilação.
A crítica construtiva, por ser benéfica, não deve ser desregrada ou ilimitada no sentido de saciar o narcisismo do autor. Esta deve ser refletiva com base num raciocínio verdadeiro, que não seja somente para agradar o seu parente próximo nem o seu amigo íntimo. Deve ser tão verdadeira que somente depois de uma leitura segura e benfazeja que seja dirigida uma mensagem ao autor, alertando os pontos: positivo e negativo. Já o autor, por sua vez, não deve especular a leitura, forçar um comentário ou tentar um elogio repentino ou imaturo, que poderá cair na armadilha do ato enganoso e sair exalando ar de impureza.
A leitura, nos seus diversos ramos, (romance, crônica, conto, poesia etc.) traz um desejo de satisfação pessoal e o alívio de uma boa viagem num terreno antes desconhecido. Através da leitura, todos nós aprendemos a ler e a contar história, a escrever com desenvoltura e a pensar com mais lógica; conhecemos os grandes pensadores e aproximamo-nos dos escritores clássicos; perquirimos os grandes textos sagrados, legamos boas lições da história e os avanços da ciência; identificamos os valores que regem as sociedades modernas e rebuscamos o conhecimento das sociedades primitivas; aprendemos a sonhar com outros mundos e recriamos utopias; às vezes nos deparamos com o riso ou com o choro; aprendemos a rezar em nome da paz e adquirimos a sensação de amor ao próximo; achamos as minudências que nos cerca e descobrimos as sutilezas que rodeiam a nós próprios.
A leitura torna-se um sistema de estrutura essencial para o exercício da nossa inteligência e serve como instrumento para nossa ginástica mental, que se firma no binômio: comunicação/informação. Afinal, a leitura amolda definitivamente a nossa memória, refaz a nossa identidade individual e reforça o nosso sentimento coletivo, bem como transforma a nossa visão de mundo.
É a reflexão sobre a leitura que nos leva ao caminho da crítica construtiva, que se firma como lema no ideal do aperfeiçoamento. A crítica é construtiva quando alerta sobre algum erro (de qualquer ordem) que pode/deve ser corrigido. Quem não erra? Quem é o dono da verdade absoluto? Quem é ilimitado dentro da cultura geral. Este é o ponto fundamental que leva às coisas se acertarem.
A crítica é construtiva quando se faz uma observação para alguma pessoa com o único interesse que ela melhore, progrida, cresça, apontando suas falhas e buscando ajudar para que ela reconheça e chegue ao ponto de equilíbrio entre o certo e o errado. Salientar pontos positivos e mostrar pontos negativos, este é o guia de orientação correta que são as bases da crítica construtiva.
Há pessoas que se consideram intocáveis no mundo insondável de sua consciência e traz um peso de sentimento no seu nível de cultura, que não aceitam a menor palavra de contrariedade aos seus próprios brios e aos seus trabalhos literários. De uma sensibilidade a flor da pele. Esta pessoa precisa de uma reciclagem nos seus próprios sentimentos. Ouvir a crítica também é questão de saber aproveitar o tijolo arremessado para, posteriormente, fazer alguma construção. No entanto, existem aquelas pessoas que não admitem que se lance sobre elas nem um grão de areia. Se a base do seu castelo de sonhos foi construída na solidez do solo petrificado não há o que temer dos pingos de areia molhada!
A crítica é uma excelente forma de expressão até o momento em que ela toma o lugar do assunto criticado. Toda crítica passional é suspeita. Independente do que está sendo criticado. A boa crítica é aquela que analisa o que é belo ou bom, segundo o que é verdadeiro e filtrado pela razão, afastando o estado emocional.
Antes de descer o verbo em tudo que pensamos e achamos que é errado, sem que antes observemos a nossa própria pequenez, é importante refletir com profundidade em que realmente se fundamenta a nossa indignação. Mesmo em coisas simples. Vemos um buraco na rua logo ficamos indignados por que o maldito governo capitalista é corrupto e deve ser derrubado, ou o problema é realmente o buraco que incomoda quem passa por ali? É claro que o buraco é consequência desta corrupção, mas o objetivo real de acabar com ela tem que ser os buracos e não a simples raiva contra o sistema. Na leitura, no texto de um desafeto, somente por que este é autor, não significa que não presta. Será que todo o conteúdo foi perdido, nada o agradou?
A pior situação vivenciada dá-se quando o autor é movido por uma vaidade incomensurável ou procura concorrer com os outros na tentativa de mostrar que o seu trabalho é superior ao demais. Neste caso, torna-se tão pequeno quanto o grão de areia molhada. Não passa dos limites do seu egoismo individual.
A leitura é um estado de espírito emocional, de acordo com o momento que se está vivendo e o conteúdo está em união e compatibilidade com as linhas deste estado emocional, o trabalho merece o elogio desejado, mas se ocorrer o contrário, não rasgue da primeira à úlitma página e não se pode também jogar na lixeira. Passando este estado emocional repentino, numa outra situação aquele mesmo trabalho literário poderá ser aplaudido e colocado em destaque no travesseiro de sua vida. João Pessoa, 18 de junho de 2009.
*Promotor Público em João Pessoa-PB.

O JORNALISTA PRECISA É DE ÉTICA

Maciel Gonzaga (Foto)
Maciel Gonzaga*
Em julgamento realizado na quarta-feira (17/06), o Supremo Tribunal Federal deu provimento ao Recurso Extraordinário RE 511961, interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo. Neste julgamento histórico, o STF pôs fim a obrigatoriedade de diploma para exercício da profissão de jornalista, instituída pelo decreto-lei nº 972/69. A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) considerou a decisão do STF um retrocesso.
O principal argumento, entre os tantos que se pode levantar para a exigência do diploma de curso de graduação de nível superior para o exercício profissional do jornalismo, foi o de que a sociedade precisa, tem direito à informação de qualidade, ética democrática.
Qualquer pessoa que conheça a profissão sabe que qualquer cidadão pode se expressar por qualquer mídia, a qualquer momento, desde que ouvido. Quem impede as fontes de se manifestar não é nem a exigência do diploma nem a regulamentação, porque é da essência do jornalismo ouvir infinitos setores sociais, de qualquer campo de conhecimento, pensamento e ação, mediante critérios como relevância social, interesse público e outros. Os limites são impostos, na maior parte das vezes, por quem restringe a expressão das fontes.
Nunca é demais repetir, também, que qualquer pessoa pode expor seu conhecimento sobre a área em que é especializada. Por isso, existem tantos artigos, na mídia, assinados por médicos, advogados, engenheiros, sociólogos, historiadores. E há tanto debate sobre os problemas de tais áreas. Além disso, nos longínquos recantos do país existe a figura do “provisionado”, até que surjam escolas próximas.
Diante disso, é de se perguntar como e por que confundir o cerceamento à liberdade de expressão e a censura com o direito de os jornalistas terem uma regulamentação profissional que exija o mínimo de qualificação? Por que favorecer o poder desmedido dos proprietários das empresas de comunicação, os maiores beneficiários da não-exigência do diploma, os quais, a partir dela, transformam-se em donos absolutos e algozes das consciências dos jornalistas e, por conseqüência, das consciências de todos os cidadãos? A informação jornalística é um elemento estratégico das sociedades contemporâneas.
Juristas de renome ocuparam-se do assunto e não foram poucas as vozes respeitáveis que se levantaram contra a necessidade do diploma para a prática do ofício, sob o argumento inteligente de que a profissão não reclama qualificações profissionais específicas, que possam constituir-se em base estrutural indispensável ao exercício da função, sem expor a sociedade a riscos. Aplaudo e reverencio a tese, mas entendo que a chave da questão da não obrigatoriedade do diploma pode ser facilmente encontrada na lei nº 9.610/98, dita Lei de Direito do Autor, consoante com o pétreo princípio da liberdade de expressão intelectual, consagrado pelo Texto Constitucional.
Esta lei qualificou o trabalho jornalístico, de qualquer natureza, como bem de caráter intelectual (art. 17, cc. 5º, VIII, "h" e 7º, XIII), retirando o jornalista, por conseguinte, da condição de mero prestador de serviços no campo da comunicação (DL. 972/69), para colocá-lo no nível de autor de obra cultural. Aliás, a lei autoral revogada (nº 5.988/73) não havia descurado do assunto (artºs 15 e 31), mas a atual enfrentou-o com clareza e precisão.
Não há dúvida que enquanto profissionais como médicos, engenheiros, advogados, etc., necessitam de cursos técnicos específicos e de diplomas que atestem sua capacitação profissional, para o desempenho regular das atividades escolhidas, o jornalista escora-se no dom do espírito, em razão do qual expressa-se intelectualmente, independentemente da natureza da sua profissão. É daí que brota a sensibilidade para a captação do fato de interesse público, que será submetido à consciência da coletividade.
Pessoalmente, mesmo sendo favorável a obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista, entendo que ser jornalista é saber ver o que está acontecendo. Para isso é preciso conhecimento e, acima de tudo, experiência. Conhecimento não se adquire apenas na escola, mas em livros, filmes, discos e, agora, também através de computador. Experiência, só no dia-a-dia. Por isso, a minha posição pessoal é: Com ou sem diploma, o jornalista precisa é de ÉTICA.
* Natural de Pombal-PB, Jornalista, Advogado e Professor. Natal -RN.

SOBRE A GRIPE DO MOMENTO

Mª do Bom Sucesso L. Fernandes Neta*
Muito tem sido discutido nesses últimos dias. De forma simplificada serão abordados alguns pontos relevantes, no que diz respeito a essa patologia que vem espalhando medo na população, na tentativa de facilitar o entendimento da situação vigente.
A famosa “gripe suína” é causada por uma mutação do vírus da gripe, o chamado vírus Influenza A (H1N1). A transmissão se dá de pessoa para pessoa, através de tosse e/ou espirro de pessoas infectadas. Caso seja transmitida, os sintomas podem se iniciar no período de 3 a 7 dias após o contato. Não há registro de transmissão para pessoas por meio da ingestão de carne de porco e/ou produtos derivados.
O CDC (Centers for Disease Control and Prevention) norte-americano classifica os casos como suspeitos ou confirmados. Estes últimos dizem respeito aos pacientes com sintomas respiratórios associados ao isolamento do vírus (em secreção de vias aéreas superiores). Já os casos suspeitos são representados por indivíduos com sintomas respiratórios e que são oriundos de áreas de risco, ou seja, com casos da doença confirmados (principalmente do exterior) ou ainda em caso de o paciente apresentar sintomas e referir contato próximo (nos últimos 10 dias) com pessoa classificada como caso suspeito de infecção pelo vírus Influenza A (H1N1).
Os sintomas são comuns a outras gripes, sendo eles: febre alta repentina (> 38ºC), tosse, coriza, rinorréia, dor de cabeça, dor muscular e/ou dificuldade respiratória. O paciente pode também apresentar uma ou mais das seguintes complicações: sinusite, otite, pneumonia, asma, piora de doença pré-existente e, em casos extremos, síndrome da angústia respiratória entre outros. Sabe-se que os indivíduos mais susceptíveis são crianças, idosos, pacientes imunocomprometidos ou com doenças crônicas, a exemplo de diabetes ou insuficiência renal crônica.
No que diz respeito ao diagnóstico, é feita a pesquisa direta do vírus em secreção de vias aéreas superiores. É realizado através do teste de Imunofluorescência indireta (IFI), seguido da reação em cadeia pela polimerase (PCR), específica para este novo vírus, que permite caracterizar casos altamente suspeitos.
O tratamento baseia-se no uso de antivirais. A procura por auxílio médico, em casos suspeitos deve ser estimulada, já que há distintos protocolos terapêuticos (disponíveis no site do CDC) para diferentes faixas etárias (especialmente, crianças); gestantes devem ser avaliadas com cautela. Diante da alta transmissibilidade da doença, a prevenção é deveras importante. Em seguida, algumas recomendações:
1º) Para indivíduos saudáveis assintomáticos: manter distância de no mínimo um metro de indivíduo com sintomas de gripe; reduzir o tempo de contato com pessoas potencialmente doentes e/ou a permanência em ambientes com aglomeração de pessoas; evitar levar as mãos à boca e ao nariz e higienizar as mãos com freqüência (com água e sabão ou soluções alcoólicas).
2º) Para indivíduos com sintomas respiratórios: higienizar as mãos com freqüência (com água e sabão ou soluções alcoólicas), especialmente se tocar a boca e nariz ou superfícies potencialmente contaminadas, principalmente após tossir ou espirrar; cobrir o rosto (boca e nariz) quando tossir ou espirrar; permanecer em casa durante dez dias, utilizando máscara cirúrgica descartável; reduzir contatos sociais desnecessários; mensurar a temperatura três vezes ao dia; ficar atento para o surgimento de febre maior que 38º C e tosse; procurar imediatamente serviço de saúde de referência para avaliação se os sintomas persistirem.
Obter informação e tomar cuidados necessários é imprescindível, a fim de reduzir a disseminação da doença. Em quaisquer dúvidas, procure seu médico. Prevenir é a melhor saída. Referências
1) Informações divulgadas no site http://http://www.medcenter.com/, fornecidas pelo Dr. Alexandre Fernandes (Neuropediatra e professor da Universidade Federal Fluminense);
2) Site do CDC norte-americano (http://www.cdc.gov/);
3) “Informe Técnico sobre a gripe causada pelo novo vírus Influenza A/H1N1, 2009”, elaborado pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e pela Associação Médica Brasileira (AMB), disponível no site da SBI (http://www.infectologia.org.br/)
E-mail para contato: sucessomed@hotmail.com
*Natural de Patos-PB, 20 anos, mais conhecida como Cessinha, acadêmica do 6º período de medicina da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande, filha de Francisco Fernandes da Silva Júnior e Zeneida Furtado Leite Fernandes, donos da Hiperfarma Bom Sucesso em Patos.

CELSO FURTADO - O LEGADO "Um apaixonado pela razão"

Celso Furtado (in memorian) Foto
POR JOSÉ SERRA.
Início de 1963, aeroporto de Congonhas, São Paulo, porta de desembarque, sábado ensolarado. Lá estava eu aguardando a chegada de um Convair da Ponte Aérea que trazia o então ministro do Planejamento, Celso Furtado, para levá-lo a um debate sobre o Plano Trienal, preparado por ele mesmo para João Goulart, cujo governo saíra fortalecido depois da recente vitória do presidencialismo contra o sistema parlamentarista, num plebiscito.
Eu tinha 20 anos e presidia a União Estadual dos Estudantes, que, junto com a UNE, organizara o seminário. Celso chegou sozinho, elogiou a iniciativa do debate e propôs tomarmos um café, antes de seguirmos para a Cidade Universitária. Por seus livros e, principalmente, pela Operação Nordeste e criação da Sudene, para nós ele já era um mito e foi uma surpresa constatar que era um homem simples, cordial e discreto.
Na mesa, o debatedor principal era Mário Alves, baiano da geração do ministro e dirigente nacional do Partido Comunista Brasileiro. O Plano Trienal pretendia, de fato, combater a inflação, naquela altura superior a 50% ao ano, promover reformas no setor público e oferecer um caminho para que a economia brasileira retomasse o dinamismo da segunda metade da década anterior. Previa deter o galope inflacionário combatendo o déficit público, controlando a expansão monetária, melhorando a oferta agrícola, atenuando o desequilíbrio externo e freando a espiral preços-salários.
A esquerda criticava não os objetivos, mas os instrumentos e a consistência do próprio plano, que, embora defendesse a reforma agrária, não previa a ampliação da participação do Estado na economia nem maiores restrições ao capital estrangeiro, considerados por ela como fatores chave de qualquer estratégia econômica nacional bem-sucedida.
Para os padrões atuais, o debate foi civilizadíssimo. Mário Alves, que poucos anos depois morreria assassinado sob tortura nos porões da ditadura, falou de forma crítica mas bem-educada, e as perguntas e comentários do público seguiram a mesma linha. As pessoas, principalmente estudantes, estavam a fim de se informar, de aprender. Celso fez uma exposição clara, com domínio de conceitos e perspectiva histórica, rebateu de forma suave as críticas, esclareceu dúvidas e respondeu com clareza e elegância a todas as questões. Um poço de racionalidade. Ganhou o debate e mesmo aqueles que não se convenceram de suas teses devem ter saído de lá desejando que sua razão fosse a verdadeira. A maioria, estivesse ou não fora da realidade, não apostava no quanto pior melhor. Naquela tarde, assistindo ao debate (e até falando, imaginem!), decidi que, depois de concluir meu curso de engenharia, iria estudar economia. Ficara fascinado pelo duelo entre Mário e Celso, e, mais ainda, com a complexidade da economia e dos problemas econômicos do país, cuja compreensão pareceu-me essencial para a construção do Brasil que ambiciosamente sonhávamos.
No bojo da instabilidade política e sob o impacto da aceleração da inflação, que já estava em andamento, as diretrizes do Plano Trienal mal saíram do papel. No segundo semestre daquele ano, Celso já havia voltado para a Sudene. Em abril do ano seguinte, rumava para o exterior, depois do golpe militar que cassou seus direitos políticos e vitimou a democracia brasileira do pós-guerra. Já nos primeiros meses angustiados do exílio, inicialmente na França, debrucei-me sobre três livros do ex-ministro brasileiro: "Formação Econômica do Brasil", "Desenvolvimento e Subdesenvolvimento" (um conjunto de ensaios que, para mim, são o melhor livro de Celso Furtado) e "A Pré-Revolução Brasileira". Ele combinava os instrumentos da melhor análise econômica cambridgeana, o conhecimento histórico, o domínio e a confiança na razão como elemento mobilizador e transformador das sociedades. Um estilo seco, objetivo, sem qualquer grandiloqüência.
Nenhum intelectual exerceu tanta influência entre nós quanto Celso Furtado, e nenhum brasileiro foi tão reconhecido, ouvido e publicado no exterior como ele, com sua obsessão pela compreensão histórico-estrutural do processo de subdesenvolvimento e das condições complexas para superá-lo. Um dos fundadores da "escola" estruturalista latino-americana, ele foi seu mais profícuo formulador.Com Celso, aliás, vai o último grande personagem dessa escola, que firmou o que há de identidade latino-americana na segunda metade do século passado: Raul Prebisch, Jorge Ahumada, Juan Loyola e o grande Aníbal Pinto. Como disse ontem seu principal auxiliar na Sudene, Francisco de Oliveira, "poucos cientistas sociais podem se orgulhar de terem visto suas idéias transformarem-se em força social e política; a obra de Furtado passou por essa dura prova da história. Contra ou a favor, ela exige que se tome posição a seu respeito".
Uma obra cuja valorização é extremamente oportuna quando nosso país vai completando um quarto de século de semi-estagnação econômica, a pior fase desde o ultimo terço do século 19 -e, mais ainda, quando a falta de um projeto nacional de desenvolvimento chega a ser apreciada pelo pensamento dominante como virtude nacional. Como se as grandes questões do país pudessem ser resolvidas pela combinação de "inativismo" estatal, sinalizações amigas ao mercado e assistencialismo, estigmatizando-se o debate sobre políticas macroeconômicas alternativas.
A última vez que encontrei Celso Furtado foi em abril último, no seu pequeno apartamento em Paris, que visitei em companhia dos jornalistas Reale Júnior e Mario Sergio Conti. Sua lucidez estava intacta, ao contrário de suas condições físicas. Entre outros temas, numa conversa despretensiosa, ele falou de sua formação, da figura de seu pai. Mas começou esclarecendo-me que a poltrona de couro já havia sido aposentada, houvera poucas semanas. Explico: quando houve o golpe no Chile, em 1973, antes de ser preso, eu havia enviado móveis e livros para a França, para onde iria com minha família, convidado para trabalhar em universidade. Depois da prisão e de uma longa reclusão numa embaixada, mudei os planos.
Uma vez na Europa, visitei-o em Paris, onde ele morava, e depois em Cambridge, na Inglaterra, onde passou um tempo como professor visitante. Hospedou-me alguns dias em sua casa. Numa conversa descontraída, eu lamentei: "Se for mesmo para os Estados Unidos (como veio a acontecer), vou acabar perdendo meus móveis. Você não quer guardar, e usar, uma poltrona de couro nova, que eu gosto tanto e mal cheguei a usar?" Ele topou e, no final, é obvio, eu nunca quis a poltrona de volta, a mesma que durante 30 anos foi usada por ele, Rosa e suas visitas, para minha enorme satisfação.
(Especial para Folha de São Paulo) 22/11/2004).

SERTÃO SEM MODA.

Francisco Vieira*
Este é o titulo da música vencedora da Iª Eliminatória do FORRÓ-FEST 2009, realizado em Patos - PB no último dia 30 de maio. A composição é de autoria de Francisco Almir – XICHICO – que embora filho de Coremas é radicado em Pombal onde trabalha no INSS, considerando-se portanto, pombalense de coração. A música alcançou com louvor o primeiro lugar, por conseguinte, o direito de disputar a grande final que ocorrerá no dia 27/06/09, em C. Grande, cidade que patrocina o MAIOR SÃO JOÃO DO MUNDO. Teve como interprete o renomado cantor pombalense Valtécio, cuja interpretação foi alvo de elogios e apupos da platéia.
Realmente digno de respeito o trabalho de XICHICO no campo da música. Seu nome é presença marcante no Forró-Fest - maior festival nordestino no gênero - realizado anualmente na Paraíba, tornando-se um concorrente de peso, graças à qualidade de suas composições. Xichico, como fiel escudeiro de nossas tradições, é defensor da autêntica música nordestina – o forró raiz – linha difundida pelo imortal Luiz Gonzaga. Sua destacada história teve início em, 1991, quando participou do FORRÓ-AÇO em J. Pessoa, tendo chegado à final com a música “Saudade Baião”, composta em parceria com Carlos Abrantes, cuja composição trata-se de um tributo ao Mestre Gonzaga e gravada pelo cantor pessoense Nodje Andrade. Particularmente, sem desmerecer a uma centena de outras dedicatórias, “Saudade Baião”, representa a maior e mais completa homenagem dirigida a Gonzagão. Posteriormente, nos anos de 2005 e 2007, também alcançou a final do Forró-Fest, com as composições “Canção das Águas”; crítica ao descaso do homem com o meio ambiente e “Sem volta e sem laço”.
Graças ao seu talento musical e excelente qualidade de suas composições que exprimem verdadeira veia poética, Xichico foi mais além, pois já conta com diversas músicas gravadas por artistas de renome. Em, 2003, compôs a música “Poeta Verdade”, letra que homenageia o grande ícone do forró Antonio Barros e gravada por Marinês em seu disco “Cidadã do Mundo”. Tempo depois, gravou com a Banda Alegria e Aleijadinho de Pombal os xotes “Coração Ferido” e “Mensageiro Locutor”, esta última, enaltecendo o profissional do radio, verdadeiro comunicador de massas.
Xixico (Foto)
Este ano, com o baião “Sertão sem moda”, o compositor traz um tema bastante atual, no qual faz um paralelo entre o passado e o presente, enfocando com evidência a diferença de costumes em épocas tão adversas. Em versos bem metrificados, revestidos por uma melodia audível, isto é, agradável aos nossos ouvidos sem, contudo, desmerecer o avanço tecnológico e a sua importância, mostra também que a modernidade está destruindo velhos costumes e tradições. Todavia, grita por um sertão onde os efeitos do progresso não afetem o seu estado natural e simplista. Segundo os críticos, a moda é feita pelo homem, que deve ater-se quanto ao seu uso correto, pois do contrário é prejudicial.
Quiçá, seja este, o ano da sonhada conquista. Oxalá! Seja agora a realização do sonho acalentado há muitos anos. Seria mais que um prêmio. Seria a recompensa maior pela perseverança. Enfim, seria o reconhecimento de um trabalho sério e autêntico, por isso, digno do nosso respeito. Com certeza “Sertão sem moda” é uma grande concorrente, o que justifica o nosso entusiasmo e alimenta nossa esperança. Entretanto, independente de qualquer resultado contrário a nossa expectativa, você já tem o prêmio do nosso reconhecimento, do nosso aplauso. Parabéns. Que Deus realize seus sonhos.
*Professor.

EDUCAÇÃO SUPERIOR NO MUNICÍPIO DE POMBAL.

Alberto Bandeira (Foto)
Faculdades Pioneiras: FAP / FCCP - “FUNDAÇÃO”
Artigo: Nº 001
Autor: Alberto Salgado Bandeira*
A Faculdade de Agronomia de Pombal – FAP e a Faculdade de Ciências Contábeis de Pombal - FCCP, Estado da Paraíba, mantida pela Fundação de Ensino Superior de Cajazeiras – FESC, deram seu primeiro passo aos oito dias do mês de Maio de 1997, na Fazenda Vassoura desse município, onde ocorreu importante reunião com as presenças do Delegado do Ministério da Educação e Desporto – DEMEC, no Estado da Paraíba, Professor Martinho Queiroga Salgado; representante de Ensino Superior da DEMEC a Professora Giannina Faraco; Padre Solon Dantas de França – Diretor do Colégio Josué Bezerra de Pombal e, Vigário das Paróquias de Nossa Senhora do Bom Sucesso de Pombal-PB e da Paróquia de São José de Paulista-PB, representando na ocasião o reverendíssimo Bispo da Diocese de Cajazeiras, Dom Matias Patrício de Macedo; os representantes da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Cajazeiras – FAFIC, o Diretor Padre Antonio Luis do Nascimento; o Vice-Diretor Padre Agripino Ferreira de Assis, a Coordenadora de Ensino Professora Maria Ieda Felix Gualberto.
A Comunidade pombalense foi representada pelas ilustres autoridades: Professor Olivaldo Nobre da Silva, Vice-Diretor do Colégio Josué Bezerra, Professor Expedito Joaquim de Abrantes, Médico Veterinário Alberto Salgado Bandeira, Extencionista da Emater-PB e a Professora Almira Lins Pinheiro. Na oportunidade o Delegado do DEMEC Prof. Martinho Queiroga Salgado, além de outras informações, apresentou em público resultado da pesquisa realizada junto a comunidade estudantil e sociedade em geral do município de Pombal e regiões circunvizinhas sobre a necessidade de criação de “Cursos de Graduação” e preferência popular no atendimento a essa importante solicitação. Os cursos de maior preferência foram: Agronomia, Ciências Contábeis, Enfermagem e Administração, sendo as duas primeiras as mais aceitas.
Na seqüência procedeu-se a indicação da “Comissão Provisória de Instalação” das Faculdades de Agronomia e Ciências Contábeis de Pombal, indicados e aceitos como Coordenador o Professor Olivaldo Nobre da Silva, Tesoureiro Expedito Joaquim de Abrantes, Secretário Alberto Salgado Bandeira e o nome da Professora Almira Lins Pinheiro para Assessorar a Comissão na elaboração do projeto. Para finalizar o encontro, o Delegado da DEMEC e sua equipe prestaram esclarecimentos e orientações diversas sobre os assuntos em pauta e ficou determinado que, a partir daquele momento, a “Comissão Provisória de Instalação” das Faculdades de Pombal seria responsável para gerir os trabalhos concernentes à instalação dos referidos cursos. Os trabalhos seguiram seu rumo sem interrupção até a data de novo acontecimento importante.
O segundo passo aconteceu às nove horas do dia 17 de julho de 1997 na “Fazenda Nova Betânia” município de Paulista-PB, com a realização de uma reunião com o objetivo principal de “Oficialização e Criação” das Faculdades de Agronomia e Ciências Contábeis de Pombal. Presentes à reunião, estiveram o Bispo Diocesano Dom Matias Patrício de Macedo, Presidente da Fundação de Ensino Superior de Cajazeiras - FESC, Padre Agripino Ferreira de Assis, Padre Solon Dantas de França, Professor Olivaldo Nobre da Silva, Expedito Joaquim de Abrantes, Alberto Salgado Bandeira. Além do Delegado da DEMEC, Martinho Queiroga Salgado e seu substituto Professor Paulo Abrantes e Professora Giannina Faraco. Na importante reunião estavam os Prefeitos Municipais: Abmael de Sousa Lacerda, Pombal - PB; Abnete Vieira de Almeida, Paulista - PB, Ivan Olimpio, São Bentinho - PB, José Leopoldo, Jericó - PB, Cristovão Amaro da Silva, Cajazeirinhas - PB, José Eudes de Queiroga, São Domingos - PB, representado por Dr. Inácio Marinho das Chagas. Os Prefeitos dos municípios de Malta - PB, Condado - PB e Aparecida - PB foram representados pelo Professor Martinho Queiroga Salgado.
O Professor Martinho Queiroga Salgado e o Professor Paulo Abrantes ressaltaram a viabilidade da criação das Faculdades de Pombal, enquanto o Bispo Diocesano, no uso da palavra, fez referência à Fundação de Ensino Superior de Cajazeiras - FESC, entidade por ele presidida, oferecendo apoio ao projeto em estudo. Na seqüência se pronunciaram o Padre Solon Dantas de França, o professor Martinho Queiroga Salgado e outros, todos demonstraram total confiança na realização e execução do projeto de instalação das Faculdades de Pombal. As Professoras Almira Lins e Maria Socorro Queiroga fizeram explanações técnicas, demonstrando as potencialidades que propiciariam a criação dos referidos cursos. A Professora Giannine Faraco fez considerações sobre as exigências legais do Ministério da Educação e Cultura.
Os Prefeitos Municipais presentes e representados admitiram a importância da criação das Faculdades para a região, oferecendo total e irrestrito apoio. O Padre Agripino e o Vereador Posidônio Fernandes do município de Paulista – PB manifestaram motivações para a continuação dos trabalhos, oferecendo apoio incondicional. Os membros da “Comissão Provisória de Instalação” Alberto Salgado Bandeira, Expedito Joaquim de Abrantes e Olivaldo Nobre da Silva se comprometeram em envidar todos os esforços no desempenho dos trabalhos. O Bispo Diocesano encerrou a reunião demonstrando satisfeito e confiante nas equipes, agradecendo a presença e o apoio de todos.
As lutas, as campanhas, as várias reuniões sucessivas, as iniciativas incansáveis do Padre Solon Dantas de França culminaram na formação da “Comissão de Elaboração do Projeto Político Pedagógico” constituída pela Profª. MS. Almira Lins Pinheiro(UEPB); Profª MS. Maria do Socorro Queiroga(UFPB); Engº Agrº MS. Felemon Benigno de Araujo Filho(EMATER-PB); Engº Agrº M.S. Inácio Marinho das Chagas(EMATER-PB); Med.Vet. Alberto Salgado Bandeira(EMATER-PB); Profª Maria Iêda Felix Gualberto(FESC); Prof. Martinho Queiroga Salgado e Equipe(DEMEC); Expedito Joaquim de Abrantes; José Felix Faustino(EMATER-PB), este, auxiliado pelo comerciante José Ednor Varela, nomeado tesoureiro da comissão.
Depois de concluído o projeto, antes do envio ao MEC, houve a necessidade da indicação da
“Primeira Diretoria das Faculdades”, para isso foram emitidas as Portarias pela FESC em 22 de outubro de 1997, nomeando para Diretor da Faculdade de Agronomia, o Padre Solon Dantas de França e Vice-Diretor Alberto Salgado Bandeira e Diretor da Faculdade de Ciências Contábeis, Expedito Joaquim de Abrantes e Vice-Diretor Olivaldo Nobre da Silva.
Posteriormente, outros momentos significados e de grandes emoções foram acontecendo, um deles foi a visita de inspeção da Comissão de Verificação do Ministério de Educação e Cultura que resultou na criação legal da Faculdade de Ciências Contábeis de Pombal, através da Portaria MEC Nº 1.681 de 19 de outubro de 2000, publicada em 23 de outubro do mesmo ano e, Um ano após foi a vez da criação legal da Faculdade de Agronomia de Pombal, através da Portaria MEC Nº 334 de 23 de fevereiro de 2001, publicada em 26 de fevereiro do mesmo ano. Assim, se confirmavam as autorizações para a realização dos primeiros vestibulares das Faculdades de Agronomia e Ciências Contábeis de Pombal. Tendo a FCCP realizado o seu vestibular logo em seguida.
Para a maior satisfação de todos os envolvidos, e agora já do conhecimento de toda sociedade foi publicado no Diário Oficial da União do dia 28 de janeiro 2002 o Edital para a realização do Primeiro Vestibular da Faculdade de Agronomia de Pombal, de acordo com a legislação vigente, nos dias 23 e 24 de fevereiro de 2002 e publicado o resultado oficial em 25 de fevereiro através da imprensa oficial e local, com data marcada para o início das aulas em 04 de março de 2002, desta feita, concretizou-se o “sonho dos sonhadores e de guerreiros lutadores”.
A FAP e FCCP funcionaram como Instituições de Ensino Superior Privadas até o ano 2007, passando à condição de Públicas, incorporadas pela Universidade Federal de Campina Grande por Processo de Federalização, com a criação do Campus da UFCG em Pombal, tendo como o seu primeiro Diretor o Professor Martinho Queiroga Salgado, ex-delegado da DEMEC. Nos próximos artigos será dada continuidade à história desse importante episódio de sucesso, marcante na vida dos pombalenses.
*Por Alberto Salgado Bandeira
Médico Veterinário
E.MAIL: betobandeira2@gmail.com (Membro Fundador, Ex-Vice Diretor, Administrador e Ex-Professor da FAP)
Colaboradores desta Edição:
Prof. Doutor, José Cesário de Almeida (Adequação da ABNT)
Profª. Especialista Terezinha da Silva Almeida (Revisão Ortográfica)

SER FILHO DE POMBAL

Jerdivan (Foto)
Jerdivan Nóbrega de Araújo
Meu caro Maciel
A vida é assim. Os jornais não trazem noticias minhas Não trazem noticias suas Não trazem noticias nossas. Nosso tempo já vai longe Já vão longe nossas estórias Nossos tombos, nossos escombros. Outras esquinas são as nossas. As estórias que temos para contar são de pessoas que não mais vem pro jantar. Quem não veio? Quem não mais virá? Nossos textos são assim! Falar de um tempo que já vai longe Dizer hoje dos filhos e amanhã dos netos. Contar nos dedos das mãos os amigos que Ainda estão por aqui. Na Rua Nova ti vi passar Na Matriz ti vi ajoelhar e rezar. Os cabelos brancos do velho professor Ali na mesa do lado. O rosto envelhecido dos alunos que fomos nós e que outrora tanto lhe deu trabalho. Agora é um espelho a nos refletir.Um rio inteiro para mergulhar Transforma-se em mergulho ao fundo Na saudade e na nostalgia. Os Pontões vão dançar. Façam silêncio!
Acho que vou chorar! Que noticias trás de lá?
Que noticias posso te dar? Faz diferença ta por lá? Dizer do cinema Diga-me dos sobrados Qualquer noticia de lá.
Quem é aquele lá? Você não lembra? Ele me abraçou tão forte.Um rosto familiar Tal qual rosto do nosso pai.A saudade é assim: Tanto pra falar E o silêncio é o que temos Para compartilhar.▬Foi bom te reencontrar...Meu caro Maciel continue a sua tela Não poupe na tinta, no pincel, Nos traços, mesmo se tortos. Sua tela tem histórias E elas são nossas. A Voz da Cidade e O Lord Amplificador Nunca silenciou em nós. Nosso tempo em uma cidade
Quando esta ainda existia Tem ecos eternos.

QUEM SOU EU? SOU POMBALENSE...

Maciel (Foto)
MACIEL GONZAGA*
RESPONDO As INDAGAÇÕES!
Recebo email de uma conterrânea – que não divulgo o seu nome por não ter a devida autorização - demonstrando uma certa preocupação com a minha pessoa em razão de sucessivos artigos de nossa autoria no Blog de Clemildo, sem que seja, do conhecimento da mesma, qual o meu vínculo com a cidade de Pombal. Foram feitas algumas indagações, entre elas: Quem é você? Nasceu em Pombal? Quem é sua família? Por que você nunca aparece na cidade, nem mesmo na Festa do Rosário? Para a autora do email respondi todas as perguntas com detalhes de informações.
Particularmente, considero que o auto-elogio é prejudicial e negativo, torna a pessoa arrogante aos olhos das demais. Cheira mal. Quem me conhece sabe que sempre detestei este tipo de atitude. Isso me enoja, causa-me repugnância. Prefiro a humildade. Em Tiago 4:6 e em I Pedro 5:5 lemos: "Deus dá graça aos humildes". Deus ampara os desamparados e os humildes. Os que se julgam auto-suficiente, não precisam de amparo. Deus dá ajuda em tempo oportuno aos humildes. Os que se julgam poderosos, não precisam de graça. A graça de Deus sempre está ao lado dos espiritualmente fracos e necessitados. Veja o que Jesus disse a respeito disso em Marcos 2:17 e também em Lucas 5:32 "Aos que se julgam perfeitos não precisam de misericórdia".
Reconheço, porém, que embora, no mais íntimo de nosso ser, todos nós tenhamos nosso auto-conceito já formado de acordo com o que fazemos, deixamos de fazer, falamos ou deixamos de falar, com todas as limitações possíveis. Eu, particularmente, prefiro ser avaliado julgado por outras pessoas que estejam em condições para isso, seja no tocante a desempenho no trabalho e a relacionamento pessoal e social.
Mas, aproveitando esta deixa, como estou ausente de Pombal desde o dia 3 de janeiro de 1969, neste artigo quero responder para conhecimento dos leitores as perguntas da nossa conterrânea.
Nasci no dia 5 de dezembro de 1950, na rua Vicente de Paula Leite, quando ainda era chamada de Rua Nova Vida. Meu padrinho de batismo foi “Seu” Toinho de Souza. Somos três irmãos – eu, Massilon e Marcelina. Sou filho de José Firmino de Luna, conhecido por “Alegria da Brasil Oiticica”. A minha mãe – Roza Gonzaga de Luna – era conhecida na cidade por Roza Rica”, apelido que lhe foi dada pelo Padre Luiz Gualberto de Andrade, pois quando alguém assim lhe chamava ela respondia: “Sou rica da glória de Deus”. Foi lavadeira de roupas durante anos nas águas do Rio Piancó, trabalhou como empregada doméstica na casa do deputado Chico Pereira e, depois, foi funcionária ASG do Hospital e Maternidade Sinhá Carneiro, por onde se aposentou.
E mais: sou sobrinho de Antônio Gazo (vendedor de cestas), Carminha Gaza, Dora Rezadeira e de Mané Pinga. Sou primo legítimo de Antônio Pinga e Nego Tico Pinga. Do lado paterno há muitos primos meus ainda aí em Pombal. Do lado materno também há muitos primos, dois deles, muito conhecidos: Zé Barbosa (vigilante do Hospital) e Antônio Barbosa (vigilante do Colégio Diocesano), ambos residindo em João Pessoa.
Estudei na Escola de Dona Almira, na Fazenda Nova Vida, de Paulo Pereira. Depois, na Escola de Dona Anita, em seguida no Grupo Escolar, na Escola de Dona Marinheira e no Ginásio Diocesano. Durante muitos anos fui coroinha, praticamente residindo na Casa Paroquial, com o Mons. Oriel Antônio Fernandes e Côn. Francisco Ferreira de Andrade. Nos anos 60, ao lado de Clemildo Brunet de Sá, Zeilto Trajano, Eurivo Donato, Genival Severo, Gago de Chico, meu irmão Massilon Gonzaga e tantos outros, participei ativamente daquela que foi o embrião do Rádio Pombalense – “A Voz da Cidade”.
Em 1969 fui estudar em Campina Grande e por lá fiquei por 20 anos. Depois, fui convidado para trabalhar em Natal (na TV Ponta Negra/SBT, emissora da qual fui fundador e trabalhei por 14 anos). Constitui família em Natal, onde permaneço até hoje. Quanto a me encontrar afastado de Pombal, não visitando a cidade nem mesmo na Festa do Rosário, isso ocorreu sempre em razão de meus afazeres particulares tanto em Campina Grande, como agora em Natal. Mas, considero ser esta um falha de minha parte.
O importante de tudo que não nego o meu passado, pois assim agindo certo estou de que estaria negando a minha própria existência. Faço sempre questão de dizer: “Nasci e me criei em Pombal, a terra de Ruy e Janduhy Carneiro, Celso Furtado, José Medeiros Vieira, Leandro Gomes de Barros, Raphael Carneiro Arnaud, Jerdivan Nóbrega, Professor Vieira , Dona Cessa, Bibia, Clemildo Brunet de Sá e tantos outros. Isso muito me orgulha”.
*Jornalista, advogado e Professor