CLEMILDO BRUNET DE SÁ

Entre dois mundos

Rinaldo Barros
Rinaldo Barros*

Já tem um tempinho que ando assuntando sobre o significado de tudo isso que estamos vivendo. Cogito se não estaríamos vivendo “entre dois mundos: um definitivamente morto, e outro que luta por vir à luz”.
Busquei nos mestres do século passado uma possível fonte para compreender esta charada.
Fixei-me em Macunaíma.
Segundo o seu próprio criador - Mário de Andrade (1893 a 1945) - Macunaíma representa "a aceitação sem timidez nem vanglória da entidade nacional", concebida como o retrato cultural do povo brasileiro: “índio branco, feiticeiro, mau caráter, preguiçoso, mentiroso, egoísta, gozador, capaz de rir de si próprio e

Cuidado com o verbo para não acabar com o sujeito

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

As afirmações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no sindicado dos bancários do ABC, em Santo André, posse de nova diretoria, só vem confirmar o já populesco discurso verborrágico, sem nada acrescentar ao atual momento, pelo contrário, deixa a nação mais longe de algum lidere que possa jogar luzes na escuridão mortífera que agoniza o corpo e

Refazendo tudo

Rinaldo Barros
Rinaldo Barros*

A educação é um processo social, é desenvolvimento. Não é a preparação para a vida, é a própria vida”. (John Dewey, filósofo e pedagogo norte-americano -1859 a 1952)

O objetivo desta reflexão é compreender a questão educacional como parte de um Projeto civilizatório de Nação.
É importante repetir que, no entender deste locutor que vos fala, a Educação não pode ser um projeto de governo ou um projeto de partido, mas um projeto da sociedade, um projeto de Nação.
Educação é o maior desafio do povo brasileiro, implicando na defesa da soberania nacional, na redefinição das prioridades de investimentos, visando um novo pacto federativo fundado na equidade (pode ir ao dicionário), para superação das desigualdades e

Hora de enfrentar o Capo di tutti cappi

João Costa
Por João Costa*

Para sua consideração- O ainda presidente da Câmara Federal, o capo di tutti cappi do golpe contra o Estado de Direito, Eduardo Cunha, precisa ser enfrentado de todas as formas dentro ou fora dos limites políticos que assegurem as liberdades democráticas no país. Ele não está sozinho para tamanha bravata  que até agora tem engendrado, mas em clara associação com ministros do Supremo Tribunal Federal e aos barões da mídia nativa. Não se combate a vanguarda do atraso com timidez ou pruridos liberais. O Brasil não é mais uma “República de bananas”, embora ainda possa parecer.
O país vive tempos de delações para crimes e

Novos tempos velhas práticas

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

Década de 1930 e o Brasil entrava numa fase de crescimento trabalhista, com a chegada de Getúlio Dorneles Vargas ao Governo Central o sindicalismo passa a fazer parte do governo, automaticamente o trabalhismo ganha um ministério recheado de conceitos avançados e o trabalhador sendo visto como uma peça importante na engrenagem do sistema, sua valorização passa a ser uma realidade incontestável para as futuras gerações.
Década de 1950 chega ao poder, Juscelino de Oliveira Kubitschek, aquele que daria um passo gigantesco para a economia nacional, introduzindo, definitivamente, a indústria em nosso país, com destaque para a indústria automobilística e

Bus stop

Ricardo Ramalho
Ricardo Ramalho*

Do Ginásio Diocesano de Pombal para o Colégio Estadual da Prata de Campina Grande. Do Sertão, seco e quente, para o Brejo, úmido e frio. Na adolescência, começava um novo ciclo de vida, longe da família, dos amigos, das facilidades da terra onde nasci e vivi, até então. Tudo era diferente, sobretudo o clima. Afora os primos da casa dos familiares que me acolheram, ninguém conhecido.
            Época de emoções e domínio absoluto dos hormônios. A denominada música jovem, ancorada no rock, se impunha. Com ela, os Beatles e

O Nada

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

Quando nos referimos ao vocábulo “nada”, logo vem à ideia de que o nada é algo inofensivo, que não causa prejuízo algum e que não interfere nas nossas vidas.
Ledo engano. O nada tem um poder destrutivo tão feroz que aniquila sonhos e vidas. Algumas pessoas entendem que o nada está afeto à personalidade dos covardes, daqueles que não assumem posições e vivem em cima do muro. De outro lado, tem quem diga que muitos se utilizam do nada propositadamente para provocar situações vexatórias, constrangedoras e até mesmo dolosamente detonar projetos de outrem, apenas e simplesmente pelo sentimento da inveja.
Se existem pessoas que se notabilizam pela coragem de assumir posições fortes e

Presente de Grego

João Costa
João Costa*

Quando os Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo entram em consenso em torno  de um projeto de lei complementar, que é votado e aprovado em regime de urgência – dispositivo que dispensa tramitação e discussão –, tenham a plena certeza que o único dano vai  para aqueles que dependem dele e para bônus daqueles que aprovam e aqueles que vão facilitar o prêmio. Bingo! Trata-se, o recente projeto de lei complementar que “visa” reduzir da dívida do governo do estado com precatórios em R$ 1 bilhão, de um “Cavalo de Troia”. Bem embrulhado em papel celofane de boas intenções, configura-se num “presente de grego”.
Segundo o Palácio da Redenção, são mais de 2.800 acordos judiciais em torno dos precatórios encalhados no Judiciário. Arautos do governo sentenciaram que pagar os precatórios é

DE ONDE ELES VIERAM?

Ignácio Tavares
Ignácio Tavares*

A cidade de Pombal sempre acolheu de braços abertos pessoas que chegaram para passar alguns dias, mas terminaram por ficar para sempre. A imanência da sedutora cidade explica-se pelo modo receptivo com o qual o seu povo acolhe a todos que se propõem a tornar-se cidadão pombalense.  
Nesta maravilhosa e encantadora terra há lugar para todos que a procuram para fixar residência por uma simples razão, qual seja -  aquele que passar pelo menos um dia e

Crônica sobre a juventude perdida

Rinaldo Barros
Rinaldo Barros*
É verdade. Tenho um caso de amor com a vida.
Acho o mundo fascinante. Tenho olhos parecidos com os olhos de uma criança.
Acredito que é fundamental ver o mundo com olhos de criança, como se o estivesse vendo pela primeira vez. Na verdade, a gente sempre vê o mundo pela primeira vez.
O mundo que vi há um segundo, não existe mais. Tudo se transforma permanentemente.
Quero aqui confessar que, nos meus tempos de ginásio, hoje ensino médio, e

Ao meu inesquecível pai

Ligia M. Arnaud Seixas
Por Ligia Maria Arnaud Seixas

Hoje, 15 de julho de 2015. Meu pai se estivesse no mundo terreno, completaria 99 anos.
Escrevi um texto relatando um pouco desse homem que tanto admirava e amava .Nesse texto agradecia à oportunidade que ele e minha mãe, dessa união, deram-me nessa existência para cumprir minhas tarefas de evolução.
Também agradecia tê-lo por companhia até sua existência aqui aos 86 anos, onde adquiri, por sua sapiência e

Wilson Seixas: Um ano só para o centenário de seu nascimento

Clemildo Brunet
Por Clemildo Brunet*

Nestes 15 de julho se vivo estivesse Wilson Nóbrega Seixas estaria completando 99 anos de idade. Há 13 anos deixou o nosso convívio. Faleceu na capital do Estado da Paraíba em 11 de março de 2002, tendo sido sepultado na cidade de Pombal sua terra natal. Descendente do tronco “Seixas, Aseixas, e Azeixas em Portugal, Brasil, Holanda, Inglaterra e Estados Unidos”, cristãos novos fazendo história desde o século XVI.
Nasceu em Pombal na Paraíba a 15 de julho de 1916, filho primogênito de Newton Pordeus Rodrigues Seixas e Natália Nóbrega Seixas e irmão de Hedy Nóbrega de Araújo casada que foi com o coronel da PM Sebastião Calixto de Araújo, Newton e José Hely, que faleceram crianças, Maria das Graças esposa de Severino Vieira de Queiroga; e Maria de Lourdes.
Wilson Seixas casou-se com Zélia Carneiro Arnaud de família tradicional de Pombal e

A perda de tempo é pior que matar o tempo

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*
Temos convivido com pessoas absolutamente inertes e imergidos em assuntos divergentes e dispersos de tal forma que fica numa verdadeira perda de tempo e ainda tenta justificar seus procedimentos como entusiastas retumbantes pela ideologia mesquinha e mequetrefe do individualismo.
Coitado desses indolentes, melhor seria matar o tempo com alguma coisa voltada a objetivos sociais e humanitários trazendo proveito e

Considerações empíricas sobre os distritos São Pedro e Casinha do Homem de Santa Cruz PB

Marcela e Romero
José Romero Araújo Cardoso*
Marcela Ferreira Lopes*

O município paraibano de Santa Cruz, que faz divisa com o Estado do Rio Grande do Norte, localizado a cerca de 18 quilômetros de Alexandria, possui dois distritos – São Pedro, caminho para São Francisco do Chabocão e Casinha do Homem, cuja via de acesso encontra-se à direita da rodovia que leva à supramencionada urbe norte-riograndense.
Visitamos as referidas localidades em datas distintas, respectivamente em 22 de março e

Valor da amizade

Severino Coelho Viana
Por Severino Coelho Viana

 A amizade é um sentimento de escolha, que distingue uma pessoa entre as demais, que se dedica atenção e carinho especial. Este sentimento de interesse e respeito mútuo, afastando-se os interesses mesquinhos, constitui uma amizade, que não pode ser passageira, mas deve ter característica de permanência que vai constituindo-se num elo de fidelidade.
O amigo é um ser de valor inestimável, indiscutível, incalculável. Amigo é aquele objeto precioso que está preservado, guardado, canonizado pela via espiritual. Mas este amigo tem que ser especial e

Everaldo Bernardino de Souza

J. Romero A. Cardoso
Por José Romero Araújo Cardoso*

Everaldo Bernardino de Souza chega aos 70 anos com muita personalidade, otimismo em viver e com objetivo sólido e conciso de passar experiência, maturidade e segurança às pessoas que lhe rodeiam em seu convívio cotidiano.
Nascido no dia 15 de julho de 1945 em Monte Alegre, aprazível localidade situada no agreste potiguar, filho do casal Manoel Bernardino de Souza – Luiza Albaniza de Souza, professor Everaldo ama Mossoró profundamente, cidade em que reside desde o ano de 1969, sendo que um dos maiores orgulhos é ter recebido o título de cidadão mossoroense.

Professor Everaldo, antes de se dedicar à docência superior, foi funcionário público do Estado do Rio Grande do Norte entre os anos de 1965 a 1973, lotado no Departamento de Estrada e

O menino e o engenho

Onaldo Queiroga
Onaldo Queiroga*

A Fazenda Nova Acauan, situada no município de São Domingos foi palco da infância do meu pai. Foi nesse tempo, que num certo dia, o menino Toinho, o filho caçula de Vicente e Olívia, deitado sentiu o frio da madrugada se despedir, dando lugar ao calor do sol nascente. Com o pé na parede, balançava a rede, vendo a luz do sol surgindo lentamente pela fresta da janela. Ao seu ouvido, chegava o canto forte dos galos que anunciavam o nascer de um novo dia. Ouvia o barulho dos galhos das árvores, o movimento da passarada e

Tempos difíceis são incongruentes com a megalomania política

Genival Torres Dantas
Genival Torres Dantas*

A dissensão endêmica verificada entre a prática e o discurso do atual governo é deveras repugnante e causa espanto em qualquer cidadão de bem que tem um mínimo de amor próprio e não se presta aos mal feitos com práticas recorrentes no modelo governamental atual. Temos vividos dias de angústia e sofreguidão por conta de uma situação esdrúxula, provocada por parte de uma pseudo confraria que em nome dos desafortunados prometia uma luta sem trégua para promover o bem estar social de uma sociedade crédula e

Fábrica de criminosos

João Costa
João Costa*

Para sua consideração – Antes de qualquer observação sobre a “fábrica do crime e de criminosos”, cabe elogiar o profissionalismo da polícia paraibana, que ao seu tempo; curto, diga-se de passagem, elucidou a barbárie dos bancários, resultando na prisão dos autores. Ponto. Mas é necessário fazer algumas perguntas para delegados e policiais experientes e criminalistas, para que possamos entender o que se passa na nossa sociedade. A primeira delas: por que criminosos atuais não fogem da cena do crime? Sim. Os casos mais bárbaros recentemente ocorridos na sociedade são exemplos assustadores.
O advogado mata a namorada, e

Questão de honra nacional

Rinaldo Barros
Rinaldo Barros*

Vou abordar o assunto de hoje com muito medo de estar certo. O caro leitor pensa que a crise no setor energético é a mais séria dos últimos tempos?
O “apagão elétrico” provocado pela gana demagógica (?) é fichinha perto da escassez (absurda) de professores no Ensino Médio brasileiro.
Relatório recente da Câmara de Educação Básica, do Conselho Nacional de Educação, calcula haver um déficit em torno de 235 mil professores (e crescendo), aqui no patropi, apenas no Ensino Médio. Somente para a disciplina Física são necessários mais 55 mil novos docentes.
O que assusta é que, nos últimos dez anos, as universidades brasileiras, todas reunidas, formaram pouco menos de 10 mil licenciados em Física. A situação é parecida também para Matemática, Química e Biologia.
E

A importância do açúcar para a ocupação do litoral oriental do Nordeste Brasileiro

Marcela e Romero
José Romero Araújo Cardoso[1]
Marcela Ferreira Lopes[2]

Desviar recursos dos lucrativos negócios com as especiarias do oriente foi uma decisão extremamente arriscada para o reino Lusitano, mas ocupar as terras que lhe coube quando da partilha com o Tratado de Tordesilha era essencial, pois as incursões de corsários estrangeiros ameaçavam os domínios portugueses no novo mundo.
Ao contrário da Espanha que descobrira metais preciosos em seu quinhão territorial nas Américas, Portugal teve que viabilizar, bem como garantir lucros fabulosos que compensassem o investimento na ocupação territorial brasileira, optando pela empresa agrícola como suporte à sua política mercantilista, a qual teria que se destinar a fabricação de um produto de larga aceitação no mercado europeu.
O açúcar surgiu como opção imediata, pois a ausência da concorrência espanhola, tendo em vista que estava dedicada com exclusividade à extração de metais preciosos, viabilizou a colonização brasileira a partir da atividade canavieira no litoral oriental nordestino.
Portugal tinha experiência de cultivo e